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18/08/2012 às 20:49
Casal acompanha todas as sessões da Camara municipal de Salesopolis

O casal Suely Roland e Nilton Roland moradores do Bairro de Dias Nunes são figuras conhecidas na cidade de Salesópolis, em busca de explicações dos problemas que acontecem no município, eles vão a todas as sessões da Câmara Municipal. E, quando é preciso realizam protesto cobrando informações e resoluções.

Tais ações já causaram especulações de que o casal se lançaria candidatos nas eleições municipais. Suely conta que há dez atrás foi candidata a vereadora, mas se desligou totalmente da política e, tanto ela quanto o marido, vão as sessões da câmara reivindicando os direitos de cidadãos.

Em uma conversa com o Jornal Acontece o casal explica o motivo de tantas manifestações e dão uma verdadeira aula de politização e cidadania.

Como começaram todas estas manifestações?

Suely Roland: Tudo começou a partir do caso da vereadora Deise Aparecida Correa (PSD) que admitiu que fazia uso indevido dos carros da prefeitura. Na época o discurso da vereadora na tribuna da câmara foi parar no You Tube. Meu marido e eu ficamos indignados coma situação. (O caso virou ação pública)

Então decidimos assistir a sessão na câmara a fim de saber o que seria feito em relação ao caso. No dia haviam outras pessoas que também estavam esperando alguma punição, afinal, a vereadora tinha cometido um erro grave. E conforme a sessão foi evoluindo ninguém tocou no assunto. Aí, ficamos perplexos com a situação e começamos a questionar.

Meu marido indignado fez um desabafo e falou que estaríamos presentes em todas as sessões até que houvesse a punição do caso.

Neste momento as pessoas que trabalhavam na câmara passaram a agir de maneira grosseira. E tentaram nos tirar da sessão, chamaram a força policial e tudo. As pessoas que estavam acompanhando tudo que não permitiram que nos retirassem dali.

Vocês chegaram a fazer uma nota de repúdio?

Suely: Sim, depois desta situação, nós fizemos uma nota de nota de repúdio e, mandamos para todos os vereadores e também para o prefeito.

Houve resposta?

Suely: A câmara nos respondeu com um ofício nos acusando de estarmos trabalhando para um candidato. Ofenderam nossa honra chegaram a falar que não éramos da cidade. Temos tudo guardado.

Na verdade nós fomos à sessão como cidadãos. Meses antes do ocorrido meu marido precisou de atendimento médico e, tivemos uma grande dificuldade de marcar um especialista. Quando conseguimos o médico pediu para ele (o marido) fazer um exame e, esperamos quatro meses para que o tal exame fosse realizado. Então percebemos que a situação da saúde municipal, não estava nada boa. E ainda aparece o caso da vereadora, foi o estopim. A partir daí começamos a agir.

Alguém mais respondeu?

Suely: Sim, o vereador Ney (Claudiney de Oliveira) respondeu a nossa nota e levantou outros problemas que estava acontecendo na cidade.

Quais?

Suely: Ah, um dos casos foi caso do vice-prefeito o Dr. Gilberto Lozano (PSD). Ele estava há mais de três anos recebendo por consultas médicas que não eram realizadas. E até então a única punição que o vice- prefeito que é marido da Secretária de Saúde, Nereida Lozano, tinha tido, foi à devolução do dinheiro recebido.

E ninguém contestou?

Suely: Assim que soubemos fizemos um requerimento pedindo a cassação da vereadora e outro pedindo uma comissão de inquérito para investigar o comportamento do prefeito. A câmara colocou os dois requerimentos em votação e arquivaram. Sem dar explicações.

Eles interromperam a sessão por dez minutos e o marido da vereadora estava junto, o que é proibido pelo regulamento interno, pois ele não é vereador. Voltaram com os dois casos arquivados, apenas dois vereadores votaram a favor do nosso requerimento, o Ney e o Vanderlon Gomes.

Houve outros casos?

Suely: Houve sim, meu marido e eu, passamos á fazer um levantamento e descobrimos outras coisas erradas.

Como o quê?

Suely: Um contrato de emergência que a prefeitura fez com uma empresa que ofereciam serviço de limpeza e conservação de jardins. Esta empresa até então contratada pela prefeitura, estava em dívida com a receita federal. Pois a CND (Certidão Nacional de Débito) da empresa não estava disponível na internet. Então fizemos outro requerimento para a prefeitura e para a câmara pedindo informações do contrato,

E obtiveram respostas?

Sim, eles responderam que estava tudo certo, pois a empresa havia apresentado a CND. Só que era um documento anterior á divida. Mas, depois a câmara que também tinha contrato com a empresa, respondeu informando que a empresa iria regularizar a situação e que havia feito um refinanciamento da dívida.

Então estava tudo certo?

Suely: Aparentemente, porque depois nós recebemos a informação de que esta empresa, na verdade, estava para prefeitura trabalhando sem contrato. Pois, foi apresentado para nós um contrato de emergência de dois antes do requerimento. Então antes disso não havia contrato algum.

Sem conta que não é cabível um contrato de emergência nesta situação. Um contrato de emergência só pode ser feito no caso de algo oferecer risco a vida dos moradores. E limpeza de ruas não se encaixa nesta exigência. Deveria ter sido feito uma licitação. Então colocamos o caso na promotoria pública.

E o que aconteceu?

Suely: A câmara fez um aditamento do contrato com esta mesma empresa para não fazer a licitação e, inclusive a tal empresa continua com a CND presa, isto continua devendo para Receita Federal. E nós também protocolamos este caso na promotoria.

E existem mais problemas?

Suely: Sim, muitas. Um exemplo são as obras que estão paralisadas.

Nilton Roland: Inclusive recebemos uma denúncia que a obra do parque da nascente está totalmente parada. E, esta obra é a uma das que possui o valor mais alto do município.

De quanto?

Nilton: Segundo os anúncios são de R$ 2 milhões. Sem contar que a prefeitura descaracterizou completamente o projeto original. A obra esta sendo construída em uma propriedade particular, que segundo informações que chegaram até nós, foi feito um acordo de desapropriação amigável. E tem mais, parece que parte da obra esta fora do município, já alcançando parte na cidade vizinha Paraibuna.

Suely: É por isso que formamos um grupo o ASAS (Associação Amigos de Salesópolis). E o próximo passo é abrir o CNPJ. Assim teremos mais forças para poder investigar as irregularidades.  

E onde querem chegar com o grupo?

Suely: Pretendemos combater o que está errado. E também, alertar a população sobre o que acontece na cidade. Tem vezes que tiramos cópias dos documentos e distribuímos para os moradores. A fim de conscientizá-los.

Nilton: Queremos a renovação da câmara, existem vereadores que estão há mais de dez anos no poder, e nunca fizeram nada em beneficio na cidade. Que cabeças novas entre lá e comecem tudo de novo. Queremos uma administração melhor.

Suely: Por exemplo, o atual prefeito não cumpriu nenhuma promessa dos planos de governo e, não foi por falta de verba. Eu tenho o material de divulgação do plano.

Qual o próximo passo?

Suely: Continuaremos reivindicando nossos direitos e estaremos de olho no que os políticos fazem. Sempre com responsabilidade, pois não saímos acusando, sem antes fazer uma minuciosa averiguação.

Quando meu marido pega o megafone para fazer uma denuncia, nós já temos em mãos todos os documentos para comprovar. Então não adiantada fazer B.O e, nós já temos inúmeros, para tentar nos conter. Ah, é claro! No dia 06 de agosto quando a Câmara voltar as atividades, nós estaremos lá.

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